Crianças de hoje, guardiãs do clima de amanhã: ação climática marca o Mês da Criança no Paúl

Mais de 700 alunos e 120 professores participam, ao longo do mês de junho, nas atividades da 22.ª edição de “Junho – o Mês da Criança”, organizada pela Delegação da Educação do município do Paúl, na ilha de Santo Antão. Este ano, a iniciativa é dedicada ao lema “Crianças de hoje, guardiãs do clima de amanhã”, reforçando a importância da educação climática desde os primeiros anos de escolaridade. 

A iniciativa conta com o apoio do Programa Ação Climática, que tem vindo a colaborar com o setor da educação em várias frentes e também ao nível de todas as ilhas, incluindo a distribuição de milhares de exemplares da Agenda do Professor e da Ação Climática, cuja 4.ª edição está a ser ultimada, a realização da Semana Cívica da Ação Climática, no início do ano escolar, e a preparação de 36 fichas de atividades pedagógicas para o 1.º, 2.º, 3.º e 4.º anos do ensino básico, nas disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática e Ciências Integradas.

Segundo Lineth Cruz., Delegada da Educação do Paúl, “o projeto permite às crianças conhecer, valorizar e priorizar ações capazes de combater o impacto das mudanças climáticas, através da participação em atividades desportivas, recreativas e culturais. Ou seja, consideramos que essas ações são aliadas estratégicas na partilha de informação, educação, sensibilização e consciencialização não só dos alunos, mas de toda a comunidade educativa. Durante a implementação das atividades, promovemos o envolvimento de diferentes olhares sobre essa realidade, ou seja, um olhar interdisciplinar, capaz de mostrar que as várias dimensões desportivas, recreativas e culturais têm impacto na interpretação da informação, no conhecimento, na perceção do problema e dos riscos, assim como nas formas de ação e reação.”

Uma gala para celebrar a criatividade e a literacia climática

Um dos momentos altos das atividades foi a “Gala dos Guardiões do Clima”, realizada no dia 7 de junho, no Polivalente Bunzim, Cidade das Pombas, Concelho do Paúl. Durante mais de três horas, o recinto recebeu uma programação cultural dedicada à ação climática, com apresentações de teatro, dança, música e declamação de poesia. 

A gala reuniu toda a comunidade educativa, incluindo alunos de diferentes níveis de ensino, professores, pais, encarregados de educação, familiares e responsáveis institucionais. O recinto esteve cheio durante toda a tarde de domingo, estimando-se a presença de mais de mil e quinhentas pessoas. 

Através da arte e da expressão cultural, as crianças transmitiram mensagens fortes sobre a proteção do planeta, lembrando que “proteger o clima é proteger a vida que existe em cada canto do planeta”, que “o futuro do planeta começa nas escolhas que fazemos agora” e que “quando cuidamos do clima, cuidamos da nossa casa”. 

O Professor e coordenador do Ension Secundário, Nelson Soares David, descreve a Gala como “uma excelente elevação e promoção da cultura e da divulgação da consciência climatica no seio da nossa comunidade educativa”.

Mais do que um momento cultural, a gala mostrou como a escola pode ser um espaço privilegiado para transformar conhecimento em consciência, e consciência em ação. 

Professores capacitados para levar a ação climática à sala de aula

No âmbito das atividades do Mês da Criança, foi também realizada uma sessão de capacitação sobre os fundamentos da ação climática, dirigida a 30 professores do ensino básico. 

A sessão permitiu aprofundar conceitos essenciais relacionados com alterações climáticas, adaptação, mitigação, impactos locais e papel da escola na promoção de comportamentos mais sustentáveis. Ao reforçar os conhecimentos dos professores, a iniciativa contribui para que a ação climática seja abordada de forma mais prática, integrada e próxima da realidade dos alunos. 

Esta atividade complementa o trabalho que o Programa Ação Climática tem vindo a desenvolver no setor educativo, nomeadamente através da produção de materiais pedagógicos e do apoio à integração da literacia climática nas práticas escolares.

João Delgado, Coordenador do 1º Ciclo e um dos responsáveis do projeto “Junho, mês da criança”, refere que:

Durante os finais do mês de maio e durante o mês junho, realço que a educação no município do Paul esteve, ou ainda está, envolvida na realização de várias atividades, com olhos postos nas ações para debelar as consequências das mudanças climáticas.

Sob o lema “Crianças de hoje, guardiãs do clima de amanhã”, um número razoável de professores, do qual fiz parte, foi também agraciado com uma ação de formação nesse mesmo âmbito e, que assume particular relevância no contexto atual, marcado pela crescente necessidade de promover a educação para a sustentabilidade e de reforçar a capacidade de resposta das comunidades educativas aos desafios das mudanças climáticas.

Ao proporcionar aos docentes conhecimento científico atualizado, metodologias inovadoras e estratégias pedagógicas adequadas, esta iniciativa contribui para o reforço das nossas competências profissionais e para a integração transversal das temáticas ambientais nos processos de ensino e aprendizagem.

Através dessas ações, é possível reconhecer a escola como um espaço privilegiado para a formação de cidadãos conscientes e socialmente responsáveis e que, o nosso papel enquanto professores e agentes de mudança se revela determinante na promoção de uma cultura de sustentabilidade e de responsabilidade climática.

Através da nossa ação educativa, nós, os docentes desempenhamos uma função fundamental na sensibilização das crianças para as questões climáticas, estimulando o desenvolvimento do pensamento crítico, da consciência ecológica e da participação ativa na procura de soluções para os desafios ambientais contemporâneos.”

Pais e encarregados de educação também entram na conversa sobre clima

De cariz pioneiro e inovador, o programa incluiu ainda uma sessão de perguntas e respostas sobre ação climática dirigida a pais e encarregados de educação. A atividade teve por base o manifesto resultante da sessão extraordinária do Parlamento Infantojuvenil sobre direitos da criança e mudanças climáticas, aproximando as preocupações expressas pelas crianças das famílias e da comunidade.

Para Lucélia, educadora de infância, responsável por uma sala com 20 bebés até um ano, e mãe de duas crianças, uma menina de 12 anos e um menino de oito anos com alergias graves, a sessão teve impacto imediato: 

“Adquiri conhecimentos que não tinha. No jardim de infância, como cuidadora de infância, vou falar com as colegas e vamos estar mais atentas ao calor e ao efeito nas crianças. Vamos passar a ter mais cuidado. Como mãe, tenho um filho que tem muitas alergias. A insolação e o calor mais intenso com as mudanças climáticas podem piorar o quadro clínico. Agora vou estar ainda mais atenta e proteger muito mais.”

A sessão permitiu criar um espaço de diálogo direto sobre os impactos das alterações climáticas na vida quotidiana, incluindo questões relacionadas com saúde, alimentação, água, calor extremo e proteção das crianças. Esta abordagem reforça a ideia de que a ação climática não se limita à escola: começa em casa, continua na comunidade e deve envolver todas as gerações.

Educar hoje para proteger o clima de amanhã

A 22.ª edição de “Junho – o Mês da Criança” no Paúl demonstra que a educação climática pode ser feita de forma participativa, criativa e próxima das comunidades. Ao envolver alunos, professores, pais, encarregados de educação e instituições, a iniciativa reforça o papel das crianças como agentes de mudança e futuras guardiãs do clima. 

Com o apoio do Programa Ação Climática, estas atividades contribuem para consolidar uma cultura de literacia climática no sistema educativo, promovendo conhecimento, responsabilidade e participação desde os primeiros anos de vida escolar. 

Porque proteger o clima é também proteger a infância, a saúde, a educação e o futuro de Cabo Verde. 

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