Entre os dias 2 e 4 de março de 2026, a ilha da Boa Vista acolheu a primeira edição do Fórum Juvenil da Ação Climática (FoJAC), uma iniciativa promovida pelo Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ) e pelo Programa Ação Climática (PAC), implementado pela LuxDev, com o objetivo de reforçar a literacia climática, a participação cívica e o protagonismo da juventude na resposta aos desafios das mudanças climáticas em Cabo Verde.
O Fórum reuniu 44 jovens provenientes de diferentes ilhas e municípios do país, incluindo líderes comunitários, representantes de organizações juvenis, estudantes universitários, ativistas climáticos e técnicos municipais ligados às áreas da juventude e do clima. Durante três dias, a Boa Vista transformou-se num espaço de aprendizagem, partilha de experiências e construção de soluções para um dos maiores desafios do nosso tempo.
Num contexto em que Cabo Verde enfrenta desafios crescentes relacionados com a escassez de água, erosão costeira, aumento da temperatura, eventos climáticos extremos e pressão sobre os recursos naturais, investir na capacitação da juventude significa investir na construção de um futuro mais resiliente. Foi precisamente esta visão que orientou a realização do FoJAC.

Ao longo do Fórum, os participantes tiveram a oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre os principais riscos climáticos que afetam o país, bem como sobre os instrumentos nacionais de governação climática, incluindo as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC), o Plano Nacional de Adaptação (NAP) e outros mecanismos que orientam a ação climática em Cabo Verde.
Mais do que uma formação convencional, o FoJAC apostou numa abordagem prática e participativa. Através de oficinas temáticas, dinâmicas de grupo, ferramentas digitais interativas e sessões de mentoria, os jovens foram desafiados a identificar problemas climáticos existentes nos seus territórios e a desenvolver propostas concretas de resposta. O objetivo não era apenas transmitir conhecimento, mas também criar condições para que os participantes se tornassem agentes ativos de mudança nas suas comunidades.
Um dos momentos mais enriquecedores do Fórum foi o trabalho desenvolvido em grupos para a elaboração de pequenos projetos climáticos. Partindo de desafios reais identificados pelos próprios participantes, foram construídas propostas de intervenção focadas na adaptação às mudanças climáticas, sensibilização comunitária, proteção ambiental e promoção de práticas sustentáveis. Este exercício permitiu transformar conhecimento em ação e demonstrou a capacidade da juventude cabo-verdiana para desenvolver soluções inovadoras quando dispõe das ferramentas adequadas.
A realização do Fórum na ilha da Boa Vista trouxe igualmente uma importante componente prática e territorial. A visita às Salinas de Sal Rei permitiu aos participantes observar diretamente um espaço com elevado valor ecológico, histórico e cultural, ao mesmo tempo que refletiam sobre os impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas costeiros e sobre o potencial das Soluções Baseadas na Natureza para reforçar a resiliência climática local.
Para o Programa Ação Climática, esta atividade representa um passo importante na concretização dos objetivos definidos no âmbito da governança climática e da participação cidadã. O FoJAC permitiu não apenas reforçar as capacidades dos jovens participantes, mas também contribuir para a criação de uma rede nacional de juventude comprometida com a ação climática, capaz de multiplicar conhecimentos, mobilizar comunidades e influenciar positivamente os processos de desenvolvimento local.

O Fórum constituiu igualmente um espaço privilegiado para promover o diálogo entre jovens, instituições públicas e parceiros de desenvolvimento, reforçando a importância da participação juvenil na construção das políticas e soluções climáticas do país. Num momento em que Cabo Verde procura acelerar a implementação dos seus compromissos climáticos, a inclusão da juventude nos processos de decisão torna-se cada vez mais essencial.
Uma das principais mensagens que emergiu ao longo do encontro foi clara: os jovens não devem ser vistos apenas como beneficiários das políticas climáticas, mas como parceiros estratégicos na sua implementação. São eles que viverão os impactos futuros das decisões tomadas hoje e, por isso, devem ocupar um lugar central na construção das soluções.
A primeira edição do FoJAC demonstrou que existe em Cabo Verde uma geração jovem consciente, motivada e preparada para assumir um papel de liderança na ação climática. O desafio agora passa por manter esta dinâmica, apoiar as iniciativas que nasceram durante o Fórum e continuar a criar oportunidades para que os jovens possam transformar ideias em ações concretas.
Mais do que um evento, o FoJAC foi o início de uma comunidade de jovens comprometidos com o futuro climático do país. Uma comunidade que acredita que a ação climática começa localmente, mas que o seu impacto pode ser sentido em todo o Cabo Verde.